17 de março de 2009

Medo x Coragem


A coragem possui, a meu ver, duas possíveis origens que a justificam, ambas relacionadas à morte como um fenômeno psíquico de transformação.
O primeiro motivo que justifica a coragem seria a negação da morte*. A coragem que se tem ao negar a morte implica uma relação de embate com a mesma, que é no mínimo desagradável.
A segunda origem da coragem é uma relação desdramatizada com a mesma. Ou seja, a morte não é vista como algo em especial, de forma que podemos enfrentá-la com a naturalidade de quem atravessa a rua.
A dramatização da morte, portanto, é diretamente proporcional à falta de coragem (em relação a tudo na vida). O excesso de medo frente às situações nos coloca à margem de experiências reais, pois o medo busca ou o conforto que interiormente não se possui ou manter a zona de conforto em que se vive. E assim vemos a vida passar temerosos (ou confortáveis) protegidos atrás de uma redoma. Já um indivíduo “confortável” em seu próprio interior pode viver situações mais intensas sem grandes dramatizações. Essa é a diferença entre as senhoras emotivas – cujos corações palpitam com as personagens da novela – e os meditadores profissionais – cuja pulsação não se altera nem à surpresa de um tiro.
A coragem também é, portanto, a tentativa de fazer as pazes com a morte, ou com qualquer outro tipo de perda (morte psíquica). O processo de “apaziguar” o medo e aceitar a expansão que sobrevém disso é a própria transformação.
Há muito mais a se considerar sobre esse assunto, mas contemplar tudo renderia no mínimo um livro, o que não é o objetivo.

Este texto foi motivado por meu atual desejo de saltar de um avião (com pára-quedas).

* Por morte aqui entenda-se também qualquer tipo de perigo, físico ou psíquico que coloque o “eu” em situação difícil, posto que diante de uma oportunidade real de transformação.

2 comentários:

Ale (mestressan) disse...

Pule sim...de pára-quedas e quando chegar, me encoraje a pular também! ;o)

Robson Pinheiro disse...

É, coragem. Mas também pode ser uma forma de querer a morte simbólica...