A dor física pode ser transcendida. Tive uma dor de estômago lancinante, por algo que ingeri. Concentrando-se na dor profundamente... muito profundamente, descobre-se que se é a própria dor. Toda ela. E assim a dor se vai. Pois quem se torna esse todo, também não é nada. Como pode o nada sentir dor?
Pra compreender isso é preciso vivenciá-lo. Naturalmente, quanto maior a dor, maior a concentração necessária, pois maior é a tendência de fugir, de pensar em outra coisa. Mas assim a dor continua, paralelamente, a existir. Talvez seja isso o que fez a ciência descobrir que uma dor aguda se tranforma em prazer (e os faquires auto-flageladores terem êxtase). Em determinado momento o indivíduo se entrega, e na entrega ele não existe mais como entidade separada, por assim dizer. E não existindo, é apenas bem-aventurança. Esse também é o princípio do amor universal.
Na meditação isso é razoavelmente conhecido, porém pouco praticado. E daí a citação de Maharaj:
"Sendo nada, sou tudo. Sou tudo, e o mundo é meu. Sendo o mundo, não tenho medo do mundo. A água não teme a água, nem o fogo ao fogo."
Um comentário:
Um escritor comportamental realmente acredita nisso que vc está falando. ele acredita q a única maneira de lidar com a dor é senti-la na sua plenitude. 5% da dor é real, é física, o restante é todo um aparato psicológico que nós criamos, seja de que maneira for. Bem , eu tenho problemas com a dor. sou a favor do paliativo. Mas como ando questionando minhas certezas...
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