
Já foram suficientemente divulgados muitos livros, cursos e materiais sobre Programação Neurolinguistica (PNL), Pensamento Positivo, Lei da Atração, Auto-Hipnose, o Poder do Subconsciente e afins... para que até hoje todos não houvessem atingido maestria na arte de conseguir o que se quer.
Enfim, será que nenhum desses cursos funciona?
A resposta é negativa. Tudo isso funciona, do contrário não seriam técnicas centenárias, que apenas mudam de nome e aparência. O que impede tudo isso de funcionar são as pessoas que não sabem produzir seus desejos e imagens *corretamente*, seja por lhes faltar algo anterior a tal imaginação ou por não terem habilidade suficiente *ainda* para fazer isso. Para criarmos uma imagem é preciso duas coisas que muitos inicialmente já não possuem: a capacidade de discernir o que verdadeiramente se deseja e a persistência para alcançar tal desejo. Pois se qualquer oscilação do desejo delonga o resultado, não é preciso mencionar o que o indivíduo concretiza com uma vontade que muda a cada dia. Além disso, muitas vezes existe a auto-sabotagem de se possuir conteúdos inconscientes que, por algum motivo, não estão de acordo com o que a consciência declara querer.
Essa infelizmente é a realidade da maioria. E podemos lhes dar uma infinidade de cursos de PNL sem obter qualquer resultado. É preciso que não haja conflitos. No auto-conhecimento, portanto, reside a capacidade de destacarmos, do universo, exatamente aquilo que se deseja. Podemos estudar isso muito mais aprofundadamente no “Metabolismo Mental” do fundador da Gestalt-terapia, F. Perls, que retratou minuciosamente esta capacidade de saber o que se quer, ter constância, e assim satisfazer tal vontade. É claro que na psicologia tudo começa nas fases iniciais de desenvolvimento. Mas na maioria dos casos, uma breve interação já revela o que falta para que alguém consiga o que quer através da mente (try me!:)). Conseguir o que falta é o que talvez não seja tão simples quanto os referidos cursos declaram.
Porém, muitos já sabem o que querem (ou o que pensam querer), e desejar posses, cargos, relacionamentos, saúde e coisas afins é o que há de mais trivial, especialmente quando não se tem essas coisas suficientemente. Há um caminho que pode ser bastante longo, para cada um, na satisfação das necessidades de ter essas coisas para si, e tal distância Jung atribuiria ao “destino” (vocabulário calculadamente prosaico). É o tempo que um indivíduo leva, na pirâmide de Maslow, para ir das necessidades de segurança até a auto-realização (que necessariamente implica o outro).
Pois, naturalmente, aquele que já tem coisas suficientes para si, passará a programar sua mente para melhorar aos demais (e sua própria satisfação estará relacionada a isso). Não devemos confundir isso com a co-dependência tão comum a muitos filantropos. A verdadeira filantropia é algo bastante raro, só pode existir num indivíduo verdadeiramente livre de amarras, mas... como compensa! Pois quando alguém deseja algo para além de si, o universo inteiro vem em seu auxílio, e com isso ele adquire mais energia, capacidade e só assim realmente cresce. Pois aqui passa a lidar com forças macrocósmicas. Pode muito menos aquele que deseja apenas para si, pois se ele ainda não está completo, como pode completar alguém?
Portanto, há um modo bastante fácil de medir o tamanho da maestria em programar a própria mente: está na quantidade de pessoas tocadas pelo indivíduo e sua obra (humanitária, ambiental, científica, etc), pois um verdadeiro mestre já conseguiu tudo o que deseja para si. É claro que muitas pessoas já conseguiram muito, e ainda não lhes foi suficiente - mas é justamente em tal "saciedade" que reside todo o Segredo.
Ter uma visão de proporções macrocósmicas não é freqüente, não pode ser algo “forçado” e requer um preparo interior à altura. São visões impossíveis de inventar ou reproduzir, mesmo que se tenha todo o conhecimento material para tanto, por tratarem-se de uma conseqüência do Ser de cada um. E assim, novamente aqui, os cursos de PNL não serão úteis.
Antes de tais visões, entretanto, deve existir a capacidade de modificar nossas próprias visões conscientemente, e enquanto não tivermos certas necessidades básicas (vitais, de segurança, estima, etc.) realizadas, significa que ainda não aprendemos a criar com suficiente maestria, ou que há muitas coisas no caminho nos impedindo de fazê-lo. Para o indivíduo auto-realizado, as imagens são manipuladas à sua vontade e nada foge a seu controle, já que ele tem o mundo em suas mãos.
A alma – ou a psique – se desenvolve a partir desta capacidade de criar. O psicoterapeuta que atende uma pessoa traumatizada, por exemplo, nada mais faz do que ajudá-la a transformar uma imagem negativa, que por algum motivo foi cristalizada em seu inconsciente. E assim a pessoa modifica sua “realidade” para criar uma outra, mais confortável. O ideal, portanto, é que o indivíduo saiba fazê-lo por si.
Finalmente, podemos dizer que qualquer imagem, positiva ou não, é uma ilusão. Mesmos as grandes visões macro-cóscimas foram, a rigor, criadas em algum momento. E assim devem ser contempladas... como um instrumento de realização, que um dia também será dissolvido pela própria lei da impermanência.
2 comentários:
Gostei...
Vc esqueceu de mencionar a física quântica. Bjs, Rose.
É verdade... mas tb... se colocasse a fisica quantica teria q escrever muito mais hahah, beijo.
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