Para a transformação de conflitos e estados internos há inúmeros “métodos” e alguns deles são: a religião ocidental (i.é. o cristianismo), a religião oriental (i.e. a meditação) e, mais recentemente, a psicoterapia. A experiência com cada um deles levou-me a crer na psicoterapia como o mais eficiente na resolução e integração *efetiva* de conflitos, embora a meditação possa ser usada paralelamente. Tomemos um afeto ou sentimento simples como a inveja, e analisemos como cada um dos métodos funciona:
1) Cristianismo (como principal representante da religião ocidental). O modelo do “sermão” religioso é algo que geralmente se resume em “parem de sentir inveja”, “elimine isso de você”, “a inveja não é de Deus” ou qualquer outro comando que visa à repressão do comportamento ou sentimento. O seguidor em questão obviamente não pode superar um sentimento como esse apenas por não aceitá-lo em si (vida literatura junguiana sobre a Sombra), e isso pode tornar o problema ainda maior ao ter ele que lidar com a culpa. Portanto, não é um modo eficiente para *transformar* questões pessoais.
2) A religião oriental tende a reforçar a consciência como forma de “assentar” todo sentimento indesejável. Assim, praticamente toda a negatividade é atribuída à sua “mente”. Elimine-a, e você será uma criatura divina, ou seja, medite até a inveja desaparecer. Creio que a meditação pode ser útil se utilizada junto à psicoterapia, porém, não foi feita para ocidentais (segundo o próprio Jung) e provavelmente não dará conta de tudo. A idéia subjacente segundo a qual “sua mente está produzindo inveja, portanto, tranqüilize-a” não é um método de resolução propriamente dito, pois não lida com a problemática diretamente. Embora existam outros métodos de meditação, o indivíduo ainda assim precisa sair de um labirinto puxando-se pelos próprios cabelos, o que raramente funciona (a menos que o labirinto desapareça com a mente).
3) A psicoterapia levaria a uma análise das causas da inveja, que se encontram na vida do indivíduo. Este sentimento especificamente relaciona-se à baixa auto-estima e a pessoa nesse caso seria orientada a perguntar-se por que não se sente devidamente valorizada, e o que precisa saber e fazer para senti-lo. Nada que não exija esforço, mas uma vez chegando-se ao centro do problema, ela não precisará se concentrar eternamente na “repressão” ou “esquecimento” da inveja, pois esta desaparecerá espontaneamente. E ter emoções que possam fluir espontaneamente é um indicativo de saúde mental, pois ninguém pode viver constantemente se controlando ou reprimindo até virar santo ou monge.
A maioria dos outros métodos existentes são derivações desses três. Sei que não é uma questão assim tão simples e há uma série de outras considerações, mas não pretendo escrever agora um tratado sobre o assunto.
Um comentário:
Precisamos de você! :o)
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